- 1. 01 - Impulso 3.39 226 plays
- 2. 02 - Superficial 3.56 216 plays
- 3. 03 - Bem-vindo 4.00 181 plays
- 4. 04 - O Jogo 2.44 122 plays
- 5. 05 - Prefiro Esquecer 3.52 172 plays
- 6. 06 - Ao Fim 3.03 136 plays
- 7. 07 - Meu Lado 3.34 121 plays
- 8. 08 - Paciência 4.48 91 plays
Bordot
Impulso
Chego em casa após o trabalho e recebo a bela missão de escrever sobre o novo disco da banda Bordot. Inconscientemente vou à cozinha e pego uma garrafa de vinho tinto seco para me auxiliar no texto, invocar os Deuses e atrapalhar a digitação.
Faço uma pesquisa rápida sobre a palavra Bordot e encontro na vigésima primeira página do Google a frase “diz-se semelhante à cor do vinho tinto originário de Bordeaux, na França”. Bom, o vinho que está comigo não é Francês, mas já acertei o clima. Aperto o play e começo a ouvir o que eles têm para dizer.
Meu Lado: Baixo e bateria fortes, riffs interessantes de guitarra, com um vinho Francês pode ficar melhor. Sempre tinto. Vocais afinados.
O vocalista Balera tem a voz forte e suave. Sobe o tom na hora certa e interpreta sua própria composição com personalidade. Clima bom, a levada fica mais agitada. “Não pensar, pois logo você vai voltar” diz o vocalista Thiago Balera. É o que os monges budistas tanto nos falam, todos os dia: não pensar. A música está com tudo no lugar, equalizada e bonitinha. Se a banda tem pretensões radiofônicas, elas podem ser concretizadas facilmente em pouco tempo. Particularmente gosto de bandas que assumem o pop, que dão a cara pra bater, sobem no palco com violões, guitarras e a cara limpa e sonham alto, fugindo das Augustas e se desvencilhando das cortinas de veludo do underground musical. O Lobão certa vez disse em uma entrevista, citando um jargão futebolístico: “quem se desloca tem preferência”. A geração do Lobão se deslocou. Ela invadiu as rádios do Brasil inteiro e arquitetou o que hoje entendemos como rock nacional. Pelo visto a Bordot está se deslocando também...
Prefiro Esquecer: Pop, riffs e baterias marcadas. O recado aqui é não deixar o impulso te levar. Impulso é a palavra que batiza o disco da Bordot. Ao ouvir “Prefiro Esquecer” lembro de alguns momentos do Cazuza. O que é bom. O que é sempre bom. “Momentos inesquecíveis que prefiro esquecer” marca a letra e o pré-refrão da música.
Relacionamentos, jargões pré e pós-adolescentes constroem as letras da banda. As aspas aqui, tirando a citação do Lobão, são sempre da Bordot.
O Jogo: “Eu sou dono de tudo que você perdeu”.. Não preciso falar mais nada...
Ao Fim: Levada de violão e bateria. “O tempo congela ou corre demais”. Solo simples de guitarra, assoviável, do jeito que a música tanto pede.
Bem-vindo: Sejam bem-vindos ao mainstream, isso sim! Hit certo. Refrão forte, música para cantar junto com 10, 15 ou 30 mil pessoas em uníssono. Sem exageros. Aumento o volume até o máximo. Encho mais um copo de vinho e uma sensação boa bate à porta do meu quarto.
Superficial: Um dos refrões mais fortes do disco: “Pra que tanta beleza, se um dia tudo isso acaba”. O instrumental é interessante, linhas de guitarras entrosadas, tudo mais uma vez no seu lugar, só que agora com um pouco mais de rebeldia. Quero mais um refrão, quero que ele venha logo e me contento muito com o pré-refrão: “eu até vivo com semblante de dor, mas não me exibo por aí sendo o que eu não sou”.
Paciência: O bonito som de violão começa, mais uma balada. “Não procure o tempo que ele pode demorar” diz a Bordot em Paciência. O jogo de vocais deixa a música mais intensa e pop.
Impulso: Rádio. Rádio. Rádio. Essa é o carro chefe da banda, com vídeo clipe e tudo. Existem milhares de teorias e manuais de How to make a great radio hit, no entanto a questão é subjetiva, chega a ser metafísica. Simplesmente não existe uma equação que consiga construir um hit a qualquer momento. Quando Impulso começa, eu já consigo facilmente me imaginar no carro, dirigindo na estrada, o rádio ligado e o locutor anunciando a próxima música da programação: Impulso, da banda sorocabana Bordot.
Bem, o disco chega ao fim, as músicas acabam e a bebida também. O que me resta é buscar outra garrafa de um bom vinho tinto e deixar o novo disco do Bordot no repeat.
por Jairo Sanches
Guitarrista e vocalista da banda Volpina, marketeiro e agitador cultural.
